domingo, novembro 12, 2006

folha solta




porque entretanto dizias que querias partir e essa forma de dizer adivinhava o vazio que crescia dentro da casa a princípio transparente que habitámos sem percebermos que essa transparência com a nossa respiração ia se transformando em coisa opaca densa indistinta. Sabíamos onde estavam os modos e os tiques de cada um como quem se levanta de noite e não acende a luz para se mover pela casa. O que é o vazio? O vazio parece um silêncio mas muitas vezes silêncio é coisa cheia então vazio poderá também ser coisa cheia e eu sem saber se queria que partisses como me davas a entender se queria que ficasses. Saí e tomei o caminho da marginal. A cidade cinzenta está à beira do rio de pontes imperfeitas o rio serpenteia para a foz de sonhos e barcos. Vou à procura de um anjo que sei na margem um anjo ajoelhado com as mãos erguidas. Preciso de confirmar se o seu olhar se perde na linha líquida do horizonte ou se inclina a cabeça em oração contrita. Quantas vezes um leve toque exercido na pele do pensamento mostra o caminho a seguir um caminho claro e amplo como o mar.
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