Puzzled Piece, David Marshall
Como era habitual às sextas, Mariana entrou naquele edifício art déco, pintado de azul desbotado que revelava sinais de abandono como muitos edifícios da cidade. Estava uma noite fria, colorida pelas iluminações alegres de Natal. Nas ruas quase desertas deambulavam figuras trôpegas. Os passos decididos dos que regressavam a casa há muito tinham deixado de se ouvir e os manequins das montras seguravam olhares inexpressivos sob holofotes dirigidos às roupas que ocasionalmente envergavam. Nos vãos das portas, os sem abrigo refugiavam-se debaixo de cobertores andrajosos. Podia sentir-se a vibração do ar da sua respiração.
Como era habitual também, o elevador não funcionava, um letreiro já muito usado dizia: avariado. Viu-se obrigada a subir os cinco patamares. Mas era jovem, tinha fôlego para isso e muito mais. A luz mortiça que iluminava as escadas revelava a sua sombra que ora se adiantava ora se atrasava acompanhando o som dos passos na madeira gasta.
Um murmúrio chegou pelo poço do elevador, mais clientes estariam a iniciar a subida. Mariana sabia que muitos outros viriam, afinal a noite noite ainda nem tinha começado.
No quinto andar, uma porta entreaberta convidava a entrar. Empurrou-a distraidamente. Sabia muito bem que a entrada estava vigiada. Uma vigilância discreta que já vinha a ser feita desde a porta da rua e que Carlos queria disfarçar o melhor possível.
À sua frente, o salão suavemente iluminado ainda estava vazio e os gatos de Carlos ronronavam enroscados junto da lareira. As mesas eram baixas e estavam rodeadas de sofás confortáveis. À esquerda, um piano de cauda impunha-se silencioso. A janela aberta permitia a circulação de ar.
Como era habitual também, o elevador não funcionava, um letreiro já muito usado dizia: avariado. Viu-se obrigada a subir os cinco patamares. Mas era jovem, tinha fôlego para isso e muito mais. A luz mortiça que iluminava as escadas revelava a sua sombra que ora se adiantava ora se atrasava acompanhando o som dos passos na madeira gasta.
Um murmúrio chegou pelo poço do elevador, mais clientes estariam a iniciar a subida. Mariana sabia que muitos outros viriam, afinal a noite noite ainda nem tinha começado.
No quinto andar, uma porta entreaberta convidava a entrar. Empurrou-a distraidamente. Sabia muito bem que a entrada estava vigiada. Uma vigilância discreta que já vinha a ser feita desde a porta da rua e que Carlos queria disfarçar o melhor possível.
À sua frente, o salão suavemente iluminado ainda estava vazio e os gatos de Carlos ronronavam enroscados junto da lareira. As mesas eram baixas e estavam rodeadas de sofás confortáveis. À esquerda, um piano de cauda impunha-se silencioso. A janela aberta permitia a circulação de ar.
Sem comentários:
Enviar um comentário